23 de outubro de 2021 - 11:37

HomeMUNDO'Crime horrível', 'barbárie'; veja repercussão do assassinato do presidente do Haiti

‘Crime horrível’, ‘barbárie’; veja repercussão do assassinato do presidente do Haiti

Líderes de diversas nações teceram comentários sobre a morte do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, na madrugada desta quarta-feira (7). Os políticos condenaram o assassinato do líder autoritário, morto a tiros por um grupo de agressores ainda não identificados em sua residência privada. Moïse vinha enfrentando forte pressão interna desde que assumiu a Presidência do país, em 2017, e as críticas se intensificaram em 2020, quando o haitiano dissolveu o poder de instituições democráticas, como o Legislativo federal, e passou a governar majoritariamente por decretos.

Por parte da comunidade internacional, recebia apoios importantes. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e o governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, apoiavam sua permanência no cargo. “Estamos chocados e tristes com o horrível assassinato do presidente Jovenel Moïse. Condenamos esse ato hediondo. Os Estados Unidos oferecem suas condolências para o povo do Haiti. Estamos prontos para ajudar e seguimos trabalhando por um Haiti seguro.”
JOE BIDEN, presidente dos EUA, em comunicado oficial.

“Estou chocado e entristecido com a morte do presidente Moïse. Nossos pêsames para sua família e para o povo do Haiti. É um ato abominável e peço calma nesse momento.”

 

BORIS JOHNSON, primeiro-ministro do Reino Unido, em rede social

“Rechaçamos o assassinado do presidente Jovenel Moïse. É um ato covarde e repleto de barbárie contra todo o povo haitiano. Nossa solidariedade com o país e a família de um grande amigo da Colômbia. Respaldamos as instituições e a democracia e solicitamos que a OEA (Organização dos Estados Americanos) faça uma missão urgente para proteger a ordem democrática.”

 

IVÁN DUQUE, presidente da Colômbia, em rede social

“Expressamos o nosso mais enérgico repúdio ao assassinato do presidente Jovenel Moïse. Nosso país reafirma mais uma vez sua solidariedade com o povo e o governo do Haiti e manifesta sua repulsa a qualquer forma de violência. A Argentina espera que a paz e a tranquilidade sejam recuperadas rapidamente no país e pede que as instituições democráticas sejam respeitadas. Fazemos também um chamado para que todos os autores do crime sejam identificados e responsabilizados por seus atos.”

 

FELIPE SOLÁ, chanceler da Argentina, em comunicado oficial

“Lamentamos profundamente o assassinato do presidente Jovenel Moïse. Condenamos esses atos de violência que devem ser esclarecidos. Nossos sentimentos ao povo haitiano.”

 

LUIS ARCE, presidente da Bolívia, em rede social

“Quero destacar nossa absoluta condenação [do crime] e nossa empatia com o povo do Haiti. O governo da Espanha apela pela unidade das forças políticas para que o país encontre uma saída para a grave crise que vive hoje.”

 

PEDRO SÁNCHEZ, premiê da Espanha, em coletiva de imprensa e publicação em rede social

“Em nome do povo e do governo de Taiwan, ofereço minhas condolências pela morte do presidente Jovenel Moïse. Seguimos juntos com o Haiti, país que é nosso aliado, nesse difícil momento.”

 

TSAI ING-WEN, presidente de Taiwan, em rede social

 

O assassinato

O presidente do Haiti, Jovenel Moïse, 53, foi morto a tiros por um grupo de agressores não identificados em sua residência privada durante a madrugada desta quarta-feira (7), informou por meio de um comunicado o primeiro-ministro interino, Claude Joseph, que classificou o caso de “ato odioso, desumano e bárbaro”.
Segundo o premiê, a esposa de Moïse, Martine, 47, também foi baleada e está recebendo cuidados médicos. Sem dar mais detalhes, Joseph informou ainda que parte dos invasores falava espanhol, o que indicaria que eles não são haitianos -os idiomas oficiais do país são o francês e o crioulo.

“Todas as medidas estão sendo tomadas para garantir a continuidade do Estado e para proteger a nação. A democracia e a República vencerão”, disse o primeiro-ministro depois de pedir calma à população e afirmar que a situação de segurança do país está sob controle da polícia e das Forças Armadas.
Na segunda-feira (5), Moïse havia nomeado um novo premiê, o sétimo em quatro anos. Ariel Henry deveria substituir Joseph nesta quarta, mas, devido às circunstâncias, a troca não aconteceu. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, Joseph afirmou estar no comando do Haiti neste momento.
O ataque, no entanto, ocorreu em meio a uma onda crescente de violência ligada à crise política do país. Com o Haiti profundamente polarizado e enfrentando uma crise humanitária e escassez de alimentos, há temores de uma desordem generalizada.

Nesta madrugada, houve relatos de tiros em toda a capital, Porto Príncipe. No começo da manhã, forças de segurança montaram um sistema para controlar a circulação de pessoas as ruas. Segundo o embaixador brasileiro no país, Marcelo Baumbach, a polícia controla a cidade e a população evita sair de casa, mas na região central, onde está o palácio do governo, alguns grupos já começam a se reunir para manifestações. “Deve esperar-se um clima tenso, embora o país esteja neste momento sob controle”, disse Baumbach.

 

Diário do Ribeira/Gazeta SP

Foto: Dieu Nalio Chery

ULTIMAS NOTÍCIAS

NOTÍCIAS RELACIONADAS