29 de fevereiro de 2024 - 03:26

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‘Priscilla’ é um retrato morno sobre a vida da ex-esposa do Rei do Rock

Elvis Presley teve dezenas de produções sobre momentos de sua vida, com a mais recente “Elvis”, rendendo para Austin Butler uma indicação ao Oscar na categoria de atuação. Com direção e roteiro de Sofia Coppola (“Encontros e Desencontros”), a ideia de “Priscilla” era mostrar o Rei do Rock como um mero coadjuvante, enquanto o foco seria totalmente na própria Priscilla Presley (que aqui assina a produção executiva), apenas no período que conviveu como sua cônjuge. Só que alguns errinhos básicos na estrutura prejudicaram este resultado final.

Inspirado no livro “Elvis e Eu”, escrito pela própria Priscilla com Sandra Harmon, a história acompanha desde quando ela (vivida por Cailee Spaeny) conheceu Elvis (Jacob Elordi), enquanto ainda estava no começo do colegial e ele prestes a servir no exército, ao mesmo tempo em que já era uma das maiores estrelas do rock no mundo.

Neste cenário, vemos os encontros e desencontros da dupla, e algumas polêmicas que o grande público sabia com poucos detalhes. Coppola sabe que está com um material bastante polêmico em suas mãos, e é nítido o enorme cuidado que ela tem ao tentar retratar essa imagem bruta do próprio Elvis.

Em um verdadeiro 8/80, ela mostra como ele se transforma da água para o vinho com Priscilla. Em um momento ele se preocupa com a castidade da jovem (uma vez que ela tinha 14 anos e ele 24), ao mesmo tempo que compra artigos e vestimentas caros, enquanto no outro a humilha por conta de um vestido e compartilha com ela suas drogas pesadas.

Como a verdadeira alma deste filme, Cailee Spaeny convence a todo momento como Priscilla em suas mais diferentes fases (principalmente na fase adolescente), e transparece o drama que ela estava vivendo, mas ela sempre relevava, por conta de estar realmente apaixonada por ele.

Porém, o mesmo não se pode falar de Elordi, que nitidamente não se preocupou em estudar Elvis como Austin Butler fez (apesar de serem duas versões bem diferentes, não tem como fugir desta comparação), e mais procura o imitar do que entregar uma atuação que o faça vivenciar ser o próprio Elvis Presley. Aparenta-se que ele apenas resumiu suas pesquisas em vídeos dele no Youtube e aos filmes (a maioria horrorosos) como “Amor a Toda Velocidade”, onde inclusive há uma breve referência aqui, por conta do suposto caso dele com a atriz Ann-Margret.

Agora com relação à direção de Sofia Coppola, ela consegue fazer um ótimo trabalho dentro do possível, embora seja um dos seus trabalhos mais fracos. Nem a única cena de um show do próprio Elvis, com a acústica bastante baixa (com o intuito de representar o vazio que havia em sua persona se salva.

Inclusive, ao se aproximar dos 30 minutos finais, ocorrem vários saltos temporais tão aleatórios que se assemelham a nítidas interferências de terceiros, uma vez que o ritmo da narrativa é totalmente quebrado.

“Priscilla” poderia ser uma das principais obras sobre a trajetória de Elvis e Priscilla, mas por conta das decisões erradas de Sofia Coppola e péssima atuação de Jacob Elordi, o fazem terminar como apenas mais um filme satisfatório sobre a esposa do Rei do Rock.

Diário do Ribeira / Grupo Gazeta SP

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