8 de agosto de 2022 - 00:40

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Suicídio de policiais cresce 55% em um ano no Brasil

O suicídio de policiais no Brasil cresceu 55% entre 2020 e 2021, passando de 65 mortes para 101. As informações estão disponíveis no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022.

Os dados compilados pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) tratam das polícias Civil e Militar. A Polícia Militar foi a que mais registrou suicídios no período, passando de 52 para 80, um aumento percentual de 54%. Já na Polícia Civil o aumento percentual foi mais expressivo, de 61,5%, passando de 13 para 21 mortos.

O estado com maior número de agentes que se mataram é São Paulo: foram 16 policiais militares e oito policiais civis mortos em 2021. Todos estavam na ativa. Não é possível comparar os dados com 2020, uma vez que as informações não foram fornecidas pelo estado.

Assim como no caso de crimes contra população LGBTQIA+, o suicídio de policiais carece de uma produção eficiente de dados públicos. A falta de estatísticas impede que se compare o risco de suicídio entre policiais com o risco na população geral, problema que foi apontado último boletim do IPPES (Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio) divulgado em 2021.

O balanço do Fórum de Segurança indica que Ceará, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Norte não divulgaram dados sobre suicídio de PMs. No caso da Polícia Civil, Ceará e Rio Grande Norte também não compartilharam informações.

Dez estados não registraram casos de suicídio entre policiais civis no período.

Os pesquisadores do Fórum solicitaram os dados aos estados por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). A lei prevê que toda informação de interesse público, quando acionada por qualquer interessado, deve ser compartilhada no prazo de 20 dias, com possibilidade de prorrogação de dez dias.

A quantidade de suicídios pode ser ainda maior do que indicam os dados devido a essa subnotificação, segundo Juliana Martins, psicóloga e coordenadora institucional do FBSP. “Há estados que alegam sigilo das informações”, explica.

A Lei de Acesso estabelece uma série de critérios para imposição de sigilo. Não é o caso de indicadores de saúde e segurança pública.

Martins explica que os policiais são formados e preparados para dar “da conta”, ou seja, aguentar as dificuldades do trabalho. “Há um lema nas paredes dos batalhões: ‘força e honra’. Existe na polícia a ideia de dar a vida pela profissão, e muitos dão mesmo. Para um policial que está com problemas psíquicos e emocionais, pedir ajuda é malvisto pelos superiores. É [no julgamento de muitos] de preguiça, falta de vontade de trabalhar.”

Entre os elementos que contribuem para o adoecimento mental estão salário baixo, insatisfação com a carreira, excesso de trabalho, dívida, dificuldade de estar próximo da família e amigos e a necessidade de fazer bicos para complementar a renda.

O medo de morrer e o estado constante de atenção causados pelo convívio com violência são outros fatores que elevam a pressão emocional.

Os policiais militares que procuram ajuda psicológica fora da corporação têm medo de se expor e do julgamento de colegas e superiores, segundo a psicóloga Adriana Paula, que atende policiais em uma clínica particular.

Um dos maiores temores de um agente de segurança é o de ser transferido para funções administrativas, ficar “fora da rua” e perder o porte de arma. “Eles têm medo de ser improdutivos. É como a perda do sonho de ser útil para a sociedade. É frustrante. A ansiedade gera uma expectativa de atuação profissional, e uma vez que se frustre a expectativa, o policial caminha para a depressão.”

SERVIÇO
Se precisar de ajuda psicológica, encontre em:
Rede de Apoio Solidário:
mapasaudemental.com.br/atendimento-online-para-todos-os-publicos/

 

Diário do Ribeira / Gazeta SP

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