3 de julho de 2022 - 16:57

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Arthur do Val renuncia ao cargo após abertura de processo por quebra de decoro

Após dizer frases sexistas contra mulheres refugiadas ucranianas, o deputado Arthur do Val (União Brasil) renunciou nesta quarta-feira (20) ao cargo de deputado estadual. A decisão foi tomada após o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovar por unanimidade processo que poderia gerar a cassação do seu mandato.

Ele é alvo no colegiado de 21 representações pedindo a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar.

Em nota divulgada no início da tarde, do Val disse que: “Sem o mandato, os deputados agora serão obrigados a discutir apenas os meus direitos políticos e vai ficar claro que eles querem na verdade é me tirar das próximas eleições”.

“Estou sendo vítima de um processo injusto e arbitrário dentro da Alesp. O amplo direito a defesa foi ignorado pelos deputados, que promovem uma perseguição política. Vou renunciar ao meu mandato em respeito aos 500 mil paulistas que votaram em mim, para que não vejam seus votos sendo subjugados pela Assembleia. Mas não pensem que desisti, continuarei lutando pelos meus direitos”.

Mesmo deixando o cargo, caso o processo de cassação dele for aprovado no plenário da Alesp, ele pode ficar inelegível por oito anos conforme a Lei da Ficha Limpa.

Conselho de Ética
O processo pedindo a cassação de Arthur do Val foi aprovado no Conselho de Ética da Alesp no último dia 12 de abril, após os nove membros do conselho acatarem o parecer do relator Delegado Olim (PP), que viu quebra de decoro parlamentar no deputado após a divulgação de áudios machistas sobre refugiadas ucranianas terem vazado no início de março, durante uma viagem para suposta ajuda humanitária ao país.

Para que o mandato de Arthur do Val seja cassado, pelo menos 48 dos 94 deputados estaduais da Alesp teriam que votar a favor do relatório aprovado pelo Conselho de Ética.

O que é dito nos áudios?
Nos áudios, que teriam sido enviados para um grupo de amigos do parlamentar, há declarações machistas e misóginas, que teriam sido feitas durante uma viagem à Ucrânia. Ele disse ter viajado para enviar doações para refugiados ucranianos após a invasão da Rússia ao país.

“São fáceis, porque elas são pobres. E aqui minha carta do Instagram, cheia de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, mas eu colei em duas ‘minas’, em dois grupos de ‘mina’. É inacreditável a facilidade. Essas ‘minas’ em São Paulo você dá bom dia e ela ia cuspir na sua cara e aqui são super simpáticas”, diz no áudio.

O deputado estadual também teria comparado a fila de refugiadas à fila de uma balada.

“Acabei de cruzar a fronteira a pé aqui, da Ucrânia com a Eslováquia. Eu juro, nunca na minha vida vi nada parecido em termos de ‘mina’ bonita. A fila das refugiadas, irmão. Imagina uma fila de sei lá, de 200 metros ou mais, só deusa. Sem noção, inacreditável, é um bagulho fora de série. Se pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui.”

Em outro trecho do áudio, ainda diz: “Passei agora quatro barreiras alfandegárias, duas casinhas pra cada país. Eu contei, são doze policiais deusas. Que você casa e faz tudo que ela quiser! Eu estou mal cara, não tenho nem palavras para expressar. Quatro dessas eram ‘minas’ que você se ela cagar você limpa o c* dela com a língua. Assim que essa guerra passar eu vou voltar para cá”.

Repercussão
Quando retornou da viagem, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, o deputado estadual havia confirmado que os áudios eram seus.

Em um primeiro momento, ele disse que “houve um mal-entendido” e alegou que as “pessoas estavam misturando os áudios com outro contexto”. E ainda ressaltou que o que havia falado “foi um erro”, dito em um “momento de empolgação”.

No entanto, após um tempo, o deputado gravou um vídeo em que declarou que suas frases foram “machistas” e “escrotas” e afirmou que se comportou “como um moleque” ao responder a perguntas de amigos em um grupo de conversas entre parceiros do futebol.

Segundo Arthur do Val, os áudios não foram enviados a grupos “de política” e ele já estava na Eslováquia, quando teve acesso à internet, ao enviá-los.

 

Diário do Ribeira / Gazeta SP

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