25 de fevereiro de 2024 - 18:21

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Homem sai para pular carnaval e é encontrado morto em sua casa vestindo terno

Wellington Henrique Cirino Cardoso, 25, foi encontrado morto no chão do quarto do apartamento em que vivia na esquina das ruas Artur de Azevedo e Mateus Grou, em Pinheiros, na zona oeste. Ele saiu com amigos para aproveitar as festas de Carnaval entre sábado e terça-feira. Na Quarta-Feira de Cinzas, às 11h11, ele deixou uma mensagem para a faxineira informando que a chave do imóvel estava na grama próximo a porta e que ele não voltaria para casa.

Pelo mesmo número de WhatsApp, a faxineira lhe respondeu. Porém não recebeu a confirmação de mensagem lida. No fim da tarde do dia seguinte, Wellington foi encontrado morto no chão do quarto do apartamento em que morava, vestindo um terno azul nada carnavalesco. Ele estava com a cabeça coberta por sacos de plástico, o pescoço amarrado com uma camiseta, um carregador de eletroeletrônico e sinais de asfixia.

O jovem era gay e sua morte despertou uma preocupação na comunidade LGBTQIA+ paulistana, que considera a hipótese de haver alguma conexão entre o episódio e a morte de dois homens, um deles também gay, encontrados com sacos plásticos na cabeça, em diferentes circunstâncias, em setembro do ano passado.

No entanto, esse é o único detalhe que une os casos e a polícia diz não ter identificado outros elementos a relacioná-los. A Secretaria de Segurança Pública divulgou na noite desta quinta-feira não haver até o momento dados que apontem para crimes conexos.

O primeiro caso teve como vítima o ator de novelas e musicais Luiz Carlos Araújo, 42, encontrado por amigos na cama de casa, na rua Aurora, no centro, em 11 de setembro. Ele fez parte do elenco da novela “Carinha de Anjo”, do SBT. Como o ator estava há alguns dias sem se comunicar em suas redes sociais, uma de suas amigas procurou o porteiro do prédio em que ele morava, para tentar saber o que havia acontecido. Quando foram até a entrada do seu apartamento sentiram um forte odor e chamaram a polícia.

A porta estava trancada por dentro com uma chave tetra, e um chaveiro precisou ser chamado para arrombá-la. Luiz foi encontrado deitado em sua cama, asfixiado com um saco plástico fino na cabeça, vestindo camiseta.

Não havia sinais de roubo, e pelo avançado estado de decomposição do corpo, a polícia não conseguiu identificar a existência de sêmen ou outros fluidos. A hipótese de um suposto agressor a sair pela porta foi descartada, já que ela estava trancada por dentro. Mesmo havendo uma cópia, seria impossível o uso simultâneo à chave que já estava na fechadura.

Como a ator morava no segundo andar do edifício, levantou-se a hipótese de fuga de um suposto agressor pela janela. De acordo com imagens das câmeras de segurança de um estacionamento localizado atrás do prédio, foi identificado uma pessoa em fuga no mesmo horário em que a polícia chegou ao endereço. Porém, foi descartada relação direta com a morte do ator: investigadores concluíram tratar-se de um vizinho com problemas no passado com a polícia, que teria se assustado diante da movimentação de viaturas na porta de casa e pensado que era ele a razão. Nenhuma outra pessoa aparece pulando da janela do prédio de Luiz.

Asfixia acidental

Um mês após o episódio, a polícia divulgou o teor do laudo de necropsia do corpo do ator. Segundo o documento, não foram encontradas marcas de violência e concluiu-se que Luiz morreu por asfixia.

O perito responsável pela análise aventou a possibilidade de ele ter usado um saco plástico na cabeça para aliviar ansiedade, reproduzindo uma técnica que consiste em colocar um saco na boca e assoprá-lo. De acordo com a tese policial, o uso de drogas, de medicação e de álcool por parte do ator teria causado um rebaixamento de seu nível de consciência, causando um quadro de asfixia acidental.

Fim do relacionamento

Apenas nove dias depois de a polícia encontrar Luiz morto em casa, a polícia recebeu um chamado para uma ocorrência com característica semelhante: o gerente de um hotel na avenida Oratório, na Mooca, na zona Leste, havia encontrado um homem morto em um quarto, com dois sacos plásticos presos à cabeça.

O gerente de lojas Luiz Henrique Giurno, 39, estava hospedado desde o dia 17 de setembro e dizia aguardar apenas o conserto de seu carro em uma oficina próxima dali para deixar o hotel. Ele era pai de uma criança de seis anos, e vivia uma fase difícil com a namorada atual, segundo familiares.

Na segunda-feira, dia 20, o gerente observou que o cliente não havia renovado o pagamento de sua diária, e telefonou para ele, mas não teve resposta. À noite, decidiu acessar o cômodo para verificar se estava tudo bem, foi então que encontrou o jovem deitado de lado, em posição fetal, coberto com um lençol e um cobertor.

No local, os policiais encontraram sinais de que a vítima havia se entorpecido. Embora o caso ainda não tenha sido relatado ao Judiciário, a polícia não vê no caso outros caminhos diferentes à hipótese de suicídio. Anteriormente, ele havia tentado se matar duas vezes.

Mistério

Embora as linhas de investigação destes dois casos parecem mais perto de uma conclusão, o mesmo não pode ser dito em relação ao terceiro, registrado no pós-Carnaval e que teve como vítima o estudante de administração e funcionário da IBM Wellington Cardoso.

A mensagem com orientações à faxineira foi a sua última comunicação conhecida. Natural de Santa Cruz do Rio Pardo, ele vivia em São Paulo em um apartamento localizado ao lado do prédio do ex-marido, o jornalista Fábio Pimentel, que estava em férias na Bahia quando tudo aconteceu.

Pimentel chegou a pedir a um de seus sócios que fosse até sua casa para checar o que poderia ter ocorrido com o rapaz.

Ele foi encontrado morto caído no chão de seu quarto, vestindo terno e segurando uma taça de vidro. Cercado de mistério, o caso traz indícios a alimentar em mesma proporção as teses de homicídio, suicídio ou acidente.

Apenas seis dias depois que o seu corpo foi encontrado, agentes foram ao endereço em busca de imagens de câmeras de segurança do prédio ou da rua que pudessem ser úteis à investigação. Descobriram que não havia. A primeira testemunha do caso foi chamada para depor apenas anteontem.

 

Diário do Ribeira / Gazeta sp

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