25 de fevereiro de 2024 - 19:49

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Você sabia que as mulheres criaram o primeiro bar do mundo?

No dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data que simboliza a luta por direitos iguais foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 1975. Desde então, as mulheres conseguiram conquistar espaços importantes em áreas predominantemente masculinas no mercado de trabalho. Atualmente é possível encontrar mulheres que realizam manutenção de carros, consertos domésticos e que trabalham como bartenders. Mas essa história de mulheres na área da bebida não é de hoje.

Tudo começou há 3.500 anos antes de Cristo, quando uma mulher chamada Kubaba criou o primeiro bar do mundo na cidade de Kish, antiga Suméria. Nessa época os bares recebiam o nome de Taverna, e eram as mulheres que preparavam as cervejas, cuidavam do espaço que também vendia caça e até oferecia hospedagem. Com o passar do tempo, o lugar passou a ser considerado imoral e impróprio para as mulheres. No século 16 as tavernas voltaram, mas agora com o nome de bar. As mulheres foram perdendo o seu protagonismo nesse cenário, tanto que o termo barman englobava apenas os homens.

Isso só começou a mudar nos anos 80, quando o termo bartender foi criado para classificar qualquer pessoa, independentemente do gênero, que trabalha atrás do balcão. “Sofremos muito com assédio e pressões diárias dentro e fora do ambiente de trabalho, mas percebo que empresários tem observado e agido para uma mudança. As mulheres tem ganhado espaço também ao assumirem papéis de coordenação e chefia e muitas estão caminhando para o empreendedorismo”, explica a bartender Wakana Morishita.

Nascida no Japão, criada no Brasil, em Marília, interior de São Paulo e morando atualmente em Blumenau (Santa Catarina), Wakana cresceu em um ambiente de experimentações gastronômicas, já que sua família teve um restaurante no interior de São Paulo por vários anos. “Sempre gostei de harmonizar bebidas e comidas, mas tinha uma certa dificuldade com os destilados até conhecer o universo da coquetelaria em uma das minhas viagens. Como era muito caro consumir bebida alcoólica no Brasil, eu mesma decidi estudar essa área para preparar meus drinks em casa”, diz Wakana.

Sua principal profissão hoje é na área de bebidas, onde ela atua como consultora, mixologista e bartender, mas ela possui formação como bióloga, onde atuou por mais de 10 anos no ramo de gerenciamento ambiental em indústria multinacional do ramo têxtil, químico e mecânico. Apesar dos avanços, o preconceito ainda aparece quando o assunto é mulheres e bebidas.

“É necessário sempre dar mais de si e entregar mais do que os homens. Isso está mudando lentamente, mas as mulheres ainda não têm a mesma remuneração que os homens ou ainda são substituídas no momento de assumir cargos de maior responsabilidade”, ressalta Wakana. Mas o preconceito não fica restrito apenas por conta de gênero, muitas pessoas costumam ter uma visão estereotipada com quem trabalha no ramo de bebidas, pois acreditam que, por causa do ambiente, não é um trabalho sério como outras profissões.

Para conseguirem apoio e mais espaço, as mulheres bartenders costumam ser solidárias e se ajudam através de grupos criados em redes sociais. O objetivo é continuar com a história iniciada pela Kubaba e não deixar que o pioneirismo das mulheres no universo das bebidas seja esquecido.

“É de enorme importância a formação de coletivos de apoio em diversos níveis (como o Coletivo Ada Colleman), grupos de Whatsapp, entre tantos outros para o fortalecimento e também a percepção de que não estamos sós no caminho. Uma apoia a outra na jornada”, finaliza Wakana.

 

Diário do Ribeira / Gazeta SP

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