1 de julho de 2022 - 11:54

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Tubarão ‘mais rápido do mundo’ é visto no mar de Praia Grande

Pescadores de Praia Grande, conseguiram gravar em vídeo um tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus), considerado o mais veloz dos tubarões do mundo. O encontro foi registrado nas proximidades da praia da Aviação na tarde de quarta (23). Os indivíduos adultos dessa espécie podem nadar a mais de 70 km/h e possuem entre 3,3 a 4,4 metros de comprimento.

O pescador Juari Alves da Silva, que estava acompanhado de dois colegas em um barco no momento do flagrante, informou que o animal estava seguindo em direção ao Canto do Forte, mas que em dado momento partiu em direção ao alto mar.

“Deu para ver a barbatana de longe, o mar estava bem ‘liso’ [sem ondas]. Quando chegamos perto, vimos que era um cação [filhote]. Na hora deu pra ver que era um anequim.

Fazia tempo que não via um desse, acho que desde que comecei na pesca vi um, mas depois não vi mais”.

O tubarão-anequim ou tubarão-mako é considerado por especialistas o tubarão mais rápido do mundo, sendo um excelente nadador e podendo chegar aos 72 km/h em curtas distâncias. Ele vive em águas temperadas e pode alcançar uma profundidade de 900 metros.

O biólogo Otto Bismarck, professor doutor da Unesp e especialista em tubarões, afirmou à reportagem que, pelas imagens do vídeo, é possível perceber claramente, pela parte de trás do corpo e pelos tons levemente azulados da coloração, que o tubarão avistado pelos pescadores é mesmo um espécime da família Lamnidae, com “grande possibilidade” de ser o anequim.

“Essa é uma espécie que normalmente vive mais afastada da costa, mas no verão não raramente é vista nas proximidades das praias em nosso litoral. Existem muitas imagens desse animal perto da praia em outros pontos do litoral de São Paulo ao longo dos últimos anos”, afirma o especialista.

Entre as razões para o anequim se aproximar da costa, estão as correntes marinhas, que podem “empurrar” o animal em direção às praias. “Outra razão é que os espécimes menores desta espécie encontram perto da costa uma área mais propícia para se alimentar e se proteger de predadores em alto mar”.

Os acidentes envolvendo anequins não são comuns. O último caso, que surpreendeu pescadores e especialistas, ocorreu em 2016, no Rio Grande do Sul, quando um pescador foi atacado e morto por um tubarão dessa espécie após ser pescado, já dentro do barco.

ENCONTROS MAIS FREQUENTES
Esta não é a primeira vez este ano que um anequim é avistado no litoral paulista. Em 2019, um indivíduo com cerca de 1,3 metro de comprimento e 35 kg encalhou em uma praia de Mongaguá. Em janeiro deste ano, um vídeo que circulou nas redes sociais mostrava um exemplar dessa espécie nadando próximo à Praia Vermelha, em Ubatuba.

A presença de outras espécies também tem sido registrada com mais frequência. No início desta semana, uma fêmea de tubarão galha-preta, com pouco mais de 2 metros de comprimento, encalhou no rio Itanhaém, no litoral de São Paulo, a 200 metros da Praia da Saudade.

No ano passado, em 3 de novembro, um turista francês foi ferido por um tubarão de pequeno ou médio porte, na praia do Lamberto. No dia 14 do mesmo mês, uma idosa de 79 anos, foi mordida por um tubarão, possivelmente um tubarão-tigre ou cabeça-chata.

Apesar do número de avistamentos ter crescido a partir do início deste verão no litoral paulista, o professor Otto Bismarck explica que isso não quer dizer que o número de tubarões perto da costa aumentou.

“Pelo contrário, o número está diminuindo, muitas espécies estão ameaçadas de extinção. O que acontece é que existem mais pessoas procurando as praias e elas estão mais ligadas, com a atenção voltada para o mar. Então tudo o que se move na água agora chama mais a atenção. Não há motivo para pânico ou preocupação”.

RISCO DE EXTINÇÃO

Assim como muitas espécies de tubarão, o anequim ou mako está em risco de extinção. Sua pesca em alto mar é proibida. O último relatório da avaliação do risco de extinção dos elasmobrânquios e quimeras no Brasil, publicado em 2016 pelo ICMBio, do Ministério do Meio Ambiente, informa que, além de constituir captura acessória na pesca de atuns e agulhões, o Isurus oxyrinchus é também uma espécie alvo em pescarias com espinhéis e redes de emalhar.

“A maioria das capturas não são adequadamente dimensionadas e certamente os dados disponíveis são subestimados”, diz o relatório. Estudos no Atlântico Norte sugerem que essa espécie pode ter sofrido declínios significativos em abundância em várias partes da sua distribuição.

“Estas considerações, associadas ao manejo inadequado, pesca sem restrições, e alto valor da carne no mercado, são fatores que exigem medidas preventivas no Atlântico Sul.

Além disso, avaliações ecológicas de risco colocam a espécie entre aquelas de maior grau de risco”, informa o documento.

Diário do Ribeira / Gazeta SP

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