18 de agosto de 2022 - 01:26

HomeBRASILTelemedicina: ela, de fato, veio para ficar?

Telemedicina: ela, de fato, veio para ficar?

Pesquisa recente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) revela que sete entre dez pacientes estão satisfeitos com a telemedicina. A jornalista Silvia Rossetto, do bairro de Moema, na zona sul da Capital, é uma dessas pessoas. Ela conta que passou a se consultar a distância, após a pandemia de Covid-19.

“Eu me consultei com vários especialistas, mas a consulta que considero mais importante foi com o dermatologista. Por meio da teleconsulta, ele conseguiu identificar que um sinal na minha pele requeria maior averiguação e, depois, confirmamos de que se tratava de um melanoma. O episódio serviu para eu ver que a telemedicina funciona”, conta.

Assim como Silvia, muitos brasileiros nunca tinham tido contato com a telemedicina antes da pandemia, e, apesar de ter havido um aumento expressivo neste tipo de consulta, o potencial de crescimento ainda é grande e é uma das pistas de que a telemedicina e os serviços de teleconsulta, em geral, vieram para ficar.

“É um caminho sem volta. A pandemia do coronavírus acelerou o uso tanto no Brasil como no mundo. Para se ter ideia, um levantamento da Associação Brasileira de Planos de Saúde [Abramge] mostra que em abril deste ano foram registradas 2,8 milhões de teleconsultas, número 14,4% maior que o de março. A associação, no entanto, reúne operadoras de planos de saúde que contam com cerca de 9 milhões de beneficiários, enquanto o número total de usuários com planos de saúde fica perto dos 47 milhões, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar [ANS], isso mostra que o uso da telemedicina por parte dos brasileiros pode ser maior”, explica Rodolfo Balogh, diretor médico da Vibe Saúde.

Benefícios.

Além do potencial, os benefícios gerados pelas consulta a distância também contam pontos para que a telemedicina continue em uso depois que a pandemia passar. Entre os pontos positivos da prática, Rodolfo destaca a facilidade de acesso e a democratização dos serviços de saúde.

“O Brasil tem 2,4 médicos a cada mil habitantes, uma taxa similar a do mundo desenvolvido. Porém, esses profissionais estão concentrados nas grandes capitais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Com isso, certos tipos de atendimento, sobretudo os mais especializados, simplesmente não chegam em todos os cantos do País. Ou seja, medicina digital é um caminho sem volta e também é uma ferramenta de redução das desigualdades”, argumenta.

O neurocirurgião Marcelo Valadares, de São Paulo, concorda com Rodolfo e já vê na prática a facilidade de acesso acontecer. “Hoje, cerca de 30% das minhas consultas são
on-line e, acredito inclusive, que o número de pacientes deve crescer gradativamente nos próximos meses, pois a telemedicina permite que os médicos atendam não só pacientes que preferem evitar a exposição a uma clínica médica por medo do coronavírus, mas também que tenham mais acesso a pacientes distantes, ou com alguma restrição de mobilidade. Eu, por exemplo, tenho pacientes do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, que buscavam um médico com a minha especialidade, mas não encontraram por perto com facilidade”, conta Marcelo.

Vai ficar mais barato?

Ainda que muitos profissionais do setor de saúde ressaltem que a telemedicina pode contribuir para aumentar o acesso da população aos serviços de saúde, muita gente ainda se pergunta se ela também pode diminuir as desigualdades no acesso a esses serviços, tornando, inclusive, os custos mais baratos.

Rodolfo diz que ainda é cedo para falar se haverá uma queda nos valores de consulta, por exemplo, mas garante que a telemedicina irá facilitar a vida das pessoas.

“Em um país de dimensões continentais como o Brasil, no qual apenas um quarto da população pode pagar por atendimento médico privado, as plataformas de saúde digital são uma forma acessível de garantir atendimento de qualidade a setores da população que ainda não contam com uma infraestrutura hospitalar completa, geralmente restrita aos grandes centros urbanos. Porém, afirmar que a capilaridade está direcionada a preço, ainda não é possível. O que podemos afirmar, no entanto, é que ela chegou para permitir o acesso aos que não contam com um serviço especializado e para facilitar a vida da população.”

A reumatologista Cristina Ellert Salomão, por outro lado, pensa que pode sim haver alguma redução de custos com a telemedicina. Porém, ela destaca que a consulta a distância deve ser utilizada para questões mais simples.

“Sempre quis atender por telemedicina. Com a pandemia, percebi que o CFM [Conselho Federal de Medicina] seria forçado a liberar essa modalidade de atendimento, e pretendo continuar posteriormente, principalmente para pessoas que moram em regiões nas quais não há reumatologista, além de atender também todos os retornos por teleconsulta. Creio que além da comodidade, há a vantagem da economia. Em uma cidade grande como São Paulo, com trânsito complicado, estacionamentos caros e aluguéis caros, poder atender e ser atendido em casa é um privilégio”, diz.

Fique de olho.

Os especialistas ouvidos pela Gazeta lembram que a telemedicina não veio para substituir o atendimento presencial, que é imprescindível em muitos casos. Porém, ela deve facilitar a vida das pessoas.

Dessa forma, na hora de procurar por um atendimento a distância lembre-se de tomar alguns cuidados, como verificar se o registro do médico (CRM) está ativo, observar a qualidade do atendimento oferecido, bem como se o médico ou a plataforma de consulta garantem o sigilo nos atendimentos, referências, e outras informações relevantes. (Gladys Magalhães)

 

 

 

Diário do Ribeira / Gazeta SP

ULTIMAS NOTÍCIAS

NOTÍCIAS RELACIONADAS