8 de agosto de 2022 - 03:55

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Professor usa plataforma pornô para dar aulas de matemática

O taiwanês Shun-Wei Chang, 34, foi traído. Como parte de sua vingança, publicou centenas de vídeos no site Pornhub, de pornografia. Chang, porém, não aparece pelado. Muito menos transando com alguém.

Vestindo um moletom cinza, ele rabisca equações na lousa e ensina cálculo para alunos de cursinho.

Não há nada de erótico no conteúdo de Chang. Exatamente por destoar tanto do ambiente onanista, sua história tem circulado em Taiwan como um caso de inusitado empreendedorismo e perseverança. Em um site dedicado a vídeos de sexo explícito, o instrutor já atingiu quase 2 milhões de visualizações falando de matemática.

“Quis me diferenciar dos outros professores e mostrar para o mundo como a matemática é bonita”, diz Chang à Folha de S.Paulo. “O público em geral deixa comentários positivos – apesar de uma minoria odiar meus vídeos porque eu interrompo o desejo de quem quer ver pornografia.”

O taiwanês trabalhava há tempos no mercado de cursinhos, um ramo milionário em uma região marcada pela competitividade no ambiente educacional. Tinha sua própria escola. Em 2020, porém, seus funcionários foram embora e abriram um negócio no andar de cima, roubando os clientes. Chang ficou sozinho, acompanhado de uma dívida de R$ 200 mil -em parte, devido a um empréstimo contraído para financiar o negócio, agora em vias de falir.

Então, teve a ideia de começar a produzir conteúdo para o Pornhub. O site, afinal, recebe cerca de 120 milhões de visitas por dia. Chang pensou que, se pudesse chamar a atenção de parte desse público, conseguiria aumentar a clientela. Para se destacar em um mundo nu, ele se vestiu. “O corpo coberto cria um contraste enorme com os outros no site.”

Chang veste o mesmíssimo moletom cinza em todos os vídeos. É intencional, afirma, para criar uma identidade memorável. Diz que um dia vai leiloar a prenda -que aparentemente nunca lavou- e doar “a maior parte” do dinheiro para ajudar alunos de regiões periféricas a estudar.

O professor trabalhou duro para criar e manter seu perfil no Pornhub. Chegou a gravar de 30 a 40 vídeos em um só dia. Dormia no cursinho, para não perder tempo. “O canal tinha acabado de começar e a gente precisava criar a nossa marca rapidamente”, explica. “Por isso, publicamos tantos vídeos em tão pouco tempo.”

Ele criou também uma série de conteúdos especiais para solidificar o canal. Por exemplo, passou dez horas ao vivo resolvendo cem exercícios de cálculo. Visitou também universidades ao redor do país para ajudar alunos a se preparar para provas.

O professor taiwanês não se limitou ao Pornhub. Criou também um perfil no OnlyFans, site usado para vender conteúdo -em geral erótico. A assinatura da conta do professor custa quase R$ 30 ao mês. O homem de moletom cinza está também no Instagram, no YouTube e no Twitter, no site chinês de compartilhamento de vídeos Bilibili e na rede taiwanesa de blogs Plurk, entre outras plataformas.

Com a mistura de empenho com soluções criativas, Chang salvou o negócio. Não diz quantos alunos têm no cursinho nem quanto ganha, mas parece que conseguiu pagar as dívidas. Uma das poucas informações que dá sobre a empresa é que boa parte da clientela é de chineses morando nos EUA.

A equipe do Pornhub se deu conta do sucesso e entrou em contato com o professor para enviar alguns presentes. Chang apareceu em uma live da empresa no Instagram. “Também mandei algumas ideias de colaboração para eles, mas estou esperando uma resposta”, diz. “Eles devem estar bem felizes.”

Um dos segredos do perfil de Chang é incorporar parte do vocabulário e da estética pornô em um conteúdo nada erótico. A foto no topo da página de seu canal o mostra gritando “play hard study hard” (divirtam-se muito, mas peguem pesado no estudo, em uma tradução livre), com as palavras envoltas em chamas. Nos detalhes da conta, como fazem os profissionais da indústria pornô, o professor pôs informações sobre o tamanho de seu pênis e se é ou não circuncidado, além de sua orientação sexual. Ele também usou palavras-chave como “peitos gigantes” e “sexo oral” para fisgar os internautas.

A caixa de comentários dá uma amostra das reações variadas ao conteúdo. Uma pessoa disse há algum tempo que, mesmo sem entender mandarim, conseguia acompanhar a aula; outra celebrou o exemplo de um professor que não mede esforços na hora de explicar a matéria. Há ainda um sem-número de trocadilhos eróticos, comparando sexo com a resolução de equações. E existem usuários irados que desabafam: “Vim aqui para me esquecer da matemática, não para ser lembrado dela”.

Chang insiste em dizer que os números são belos, mas não sexy, apesar de estarem no tal site pornô. “Pode ser que alguém se excite fisicamente com eles, mas acho que não é o meu caso.”

 

 

 

Diário do Ribeira / Gazeta SP

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