5 de dezembro de 2021 - 05:09

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CPI da Covid em SP: Médicos da Prevent são acusados de assédio sexual

Médicos da Prevent Senior, empresa de planos de saúde investigada por irregularidades durante a pandemia, foram denunciados nesta quinta-feira (21) por assédio sexual na CPI da Covid realizada na Câmara Municipal de São Paulo.

A denúncia foi feita pela advogada Bruna Morato, que prestou nesta manhã seu depoimento aos vereadores sobre os casos de importunação. As informações são do G1.

Bruna já havia deposto na CPI da Covid no Senado em setembro, mas só agora apresentou um dossiê com denúncias contra a operadora. No total, 12 médicos são representados pela advogada na denúncia.

Um dos casos aconteceu no hospital da zona norte da capital paulista, no bairro de Santana. O relato aponta que um médico que atua na unidade tocou nos seios e nas pernas de uma paciente e em seguida se tocou nas partes íntimas.

A paciente que sofreu os abusos não podia falar porque estava internada com edema de glote, mas sua sobrinha testemunhou parte do assédio. O caso aconteceu em agosto de 2020 e está sendo investigado pela Polícia Civil.

A vítima procurou o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) que abriu uma sindicância para apurar o caso. Mas o órgão decidiu arquivar o processo sem nem mesmo ouvir diretamente o médico. Apenas alegou que o acusado já havia deposto à Delegacia da Mulher e que não havia casos similares registrados contra ele.

Na CPI consta que a polícia requisitou ao hospital em Santana, as imagens do dia em que o assédio teria ocorrido, mas a Prevent Senior teria informado que as imagens foram apagadas pois já haviam se passado mais de 15 dias do dia das gravações.

Segundo o presidente da CPI, vereador Antonio Donato (PT), essa não é a primeira denúncia de importunação sexual que teria chegado à comissão sobre a Prevent. Ele afirma que o colegiado vai analisar todos os casos.

“Essa denúncia não diz respeito ao processo da Covid. Mas, evidentemente, qualquer denúncia, algum tratamento a gente pretende dar. Se a gente vai encaminhar ao Ministério Público ou algum órgão responsável, ou se vamos tratar de alguma maneira. A CPI está atenta a esse período da pandemia, de março de 2020 até hoje. Se for anterior, foge um pouco do escopo da CPI”, disse o vereador.

Bruna afirma que os casos de assédio são fruto da postura adotada pela empresa de planos de saúde na pandemia. “Essas denúncias de assédio e importunação sexual foram geradas provavelmente por uma falsa sensação de impunidade. Existia essa sensação de que a empresa não seria fiscalizada e diversas irregularidades ocorreram”, alegou a advogada.

“A sensação que se tem é que, com a pandemia, eles se sentiram à vontade nos hospitais para praticar inúmeras irregularidades e essa seria mais uma entre tantas outras”, adicionou.

 

Escala pela beleza

Outro caso apontado pela advogada é de um médico e diretor da rede que escolhia plantonistas mulheres a partir do seu critério pessoal de beleza física.

“A prática começava com elogios no Instagram e evoluíam para afirmações mais fortes e contundentes no pessoal. As que tentavam reprimir essas ações recebiam punições. Eram retiradas de alguns plantões ou eram pressionadas a fazer coisas que não queria fazer”, descreve.

Pelo menos seis funcionárias da Prevent Senior afirmaram ter sido vítimas de assédio pelo mesmo médico e, segundo os documentos apresentados à CPI, esse comportamento era recorrente.

As vítimas que acusam o médico não abriram boletim de ocorrência, afirma a advogada. Isso porque o diretor em questão fazia parte do alto escalão da Prevent Senior, o que era conhecido internamente como “Pentágono”. Mesmo assim, uma médica coordenadora da equipe teria feito uma denúncia à área de “compliance” da empresa, e foi demitida pouco tempo depois.

A CPI da Prevent Senior na Câmara de São Paulo teve início na semana passada e já encontrou diversas irregularidades nos hospitais da operadora na Cidade.

 

Diário do Ribeira/Gazeta SP

Foto: Bruno Escolástico

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