20 de outubro de 2021 - 22:45

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Vacinação reabre as cortinas do teatro

Em março de 2020, a pandemia do novo coronavírus desembarcou no Brasil, obrigando teatros de todo Estado a fecharem as cortinas. Alguns espetáculos se adaptaram e conseguiram fazer transmissões on-line, mas a maior parte do setor está retornando agora, com o avanço da vacinação.

Este é o caso, por exemplo, de “Donna Summer Musical”, que teve a temporada interrompida uma semana após a estreia em São Paulo. “Nós compramos os direitos do Donna Summer Musical em 2018 e conseguimos realizar só em 2020. Acreditamos muito no conteúdo e não tínhamos dúvidas de que seria um sucesso aqui no Brasil. Estreamos em Março de 2020 e as vendas estavam indo super bem, quando veio a pandemia”, conta a atriz e coreógrafa Barbara Guerra, da equipe de produção do espetáculo.

O musical, dirigido por Miguel Falabella e estrelado pelas atrizes Jeniffer Nascimento, Karin Hils e Amanda Souza, retornou no início do setembro e está em cartaz no Teatro Santander, localizado no Complexo JK Iguatemi, na capital paulista. “Assim que paramos já não sabíamos se conseguiríamos voltar, foi angustiante. Não tínhamos condições financeiras para a retomada. Em 2020 tínhamos patrocínio para levantar a peça e as despesas do primeiro mês, estávamos contando com a venda da bilheteria para pagar os custos e continuar com a temporada. A retomada só foi possível porque o Santander acredita no conteúdo e patrocinou novamente o espetáculo, somente por isso conseguimos voltar”, ressalta Guerra.

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Espetáculo Donna Summer Musical perdeu três profissionais para a Covid-19 – Caio Gallucci

Desafios
Ainda que o retorno esteja indo bem, com as pessoas voltando a buscar por diversão, esse novo momento ainda traz desafios e exige adaptações. “O que a pandemia realmente afetou foi a dinâmica no backstage. Foram estabelecidos protocolos de convivência tanto antes do show como durante”, explica a profissional, que acrescenta que os gastos com testes e equipamentos de proteção passaram a fazer parte do orçamento.

A produtora conta ainda que perdeu três membros da equipe para a Covid-19, entre eles o ator Edson Montenegro, que interpretava o pai de Donna Summer. Para a volta, além de contratar outro ator para o papel, foi preciso admitir uma camareira, um peruqueiro, um técnico de palco e dois atores swings (profissionais que ficam do lado de fora do espetáculo e entram quando há uma baixa no elenco), que se juntaram aos dois profissionais já contratados para a temporada de 2020. “As contratações foram necessárias para ficarmos seguros, caso houvesse alguma contaminação”, ressalta Guerra.

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Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolates precisou trocar um dos atores principais – João Caldas/Divulgação

Adaptações
Do lado artístico, “Donna Summer Musical” precisou cortar uma cena de beijo, por conta da pandemia, já “Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolates”, que estava prestes a entrar em cartaz, quando os casos de Coovid-19 começaram a se multiplicar, precisou fazer alterações maiores.

Em entrevista ao Fantástico, exibida no dia 12 de setembro, os produtores revelaram que foi necessário trocar um dos atores que interpretam Charlie, o protagonista, visto que o ator mirim cresceu e engrossou a voz.

Outra alteração foi o local da peça, que originalmente seria no Teatro Alfa, mas por conta do novo calendário, passou para o Teatro Renault. “Pretendíamos voltar em março de 2022. Porém, achamos importante participar dessa reabertura do teatro”, disse um dos produtores do espetáculo, durante coletiva de imprensa.

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Outro espaço que está de volta é o Teatro Bradesco, que comemora a retomada – Vagner Costa

Retomada festejada
Além dos produtores de grandes espetáculos, a volta da plateia também é comemorada pelos teatros. Isabella Oliveira, gerente-geral dos teatros Bradesco e Opus, conta que as casas tiveram mais de 20 atrações adiadas e, somadas, sete cancelamentos. “Levamos em conta apenas os que estavam com a venda de ingressos aberta. Se considerarmos os eventos que ainda não haviam sido divulgados, o número seria bem maior”, diz a profissional.

Agora, a programação está bastante diversificada até meados de 2022, com destaque para o espetáculo Candlelight, no Teatro Bradesco, e do musical “Barnum – O Rei do Show”, estrelado por Murilo Rosa, e que chega pela primeira vez ao Brasil, no Teatro Opus.

“Estamos contentes com essa retomada gradual às atividades. Foram meses de portas fechadas, mas sempre pensando em como iriamos receber o público da melhor forma possível e respeitando a segurança e saúde de todos”, diz Oiveira.

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, responsável pelo Teatro Sérgio Cardoso, que possui duas salas e teve cerca de nove temporadas canceladas ou adaptadas para transmissão on-line, de sua sala menor, também comemora a retomada e acredita que a vacinação deve trazer o público de volta. “A procura pelos espetáculos está crescendo aos poucos, a medida em que o processo de vacinação avança. O público vem retornando com interesse e cuidados. No momento estamos com dois espetáculos em cartaz, mas, até o final do ano, receberemos sete temporadas.”, disse, por meio de nota.

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Agora, de Cassi Abranches, um dos espetáculos em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso – Silvia Machado

Outras cidades
Não é só a capital paulista que vê a cena cultural avançar, cidades do interior e litoral também já ensaiam uma retomada.

Santos, por exemplo, que recebia, em média, 400 atividades artísticas por ano, está definindo os detalhes para reabertura de três dos quatro teatros públicos da cidade, com a implantação de todos os protocolos de segurança sanitária, tanto para o público quanto para produtores de espetáculos culturais.

Além disso, a Secretaria Municipal de Cultura (Secult) finaliza em breve o processo de preparação das instalações dos teatros Municipal e Guarany, que receberam, entre outras coisas, melhorias no sistema de ar condicionado e camarins, além de reformas nos banheiros.

Segurança
De acordo com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, os teatros podem receber 100% do público. Contudo, é necessário respeitar o distanciamento de 1,5 m entre pessoas que não são do mesmo grupo, o que acaba impedindo a lotação máxima.

No mais, os teatros, em geral, estão aferindo a temperatura das pessoas, disponibilizando álcool em gel, exigindo a comprovação de ao menos uma dose da vacina e o uso de máscara.

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