20 de outubro de 2021 - 22:14

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Mercado pet cresce na pandemia e deve faturar mais de R$ 46 bi em 2021

O desejo de ter um animal de estimação e de dar um lar para bichinhos carentes foi o que levou o funcionário público Fernando Santa Rosa, 41 anos, morador da cidade de Bauru, a adotar os gatos Bananinha e Goiabinha em maio deste ano, ainda que, segundo ele, gatos nunca tenham estado em seu radar. “A vontade de ter um pet, especialmente um cachorro, já existia e foi exacerbada na pandemia. Mas meus filhos pediam gatos, então, junto com a minha esposa, decidimos adotar. Nunca me imaginei cuidando de gatos e confesso que me surpreendi. Eles são muito amorosos e só trouxeram alegria para nossa casa. Apesar dos gastos para manter um pet, vale a pena.”

 

Macaque in the trees
Fernando e os gatos Bananinha e Goiabinha – Arquivo pessoal

 

Já a rottweiler Gaya tinha apenas dois meses quando foi para a casa da professora de inglês Bettina Mass, em abril deste ano. Moradora de São Carlos, no interior paulista, Bettina conta que a cadela trouxe bem-estar e sensação de segurança para a família. “A pandemia nos influenciou muito a levarmos Gaya para casa. Além disso, no começo de 2021, minha casa foi invadida e houve uma tentativa de assalto. Eu, minha mãe e meu filho estávamos em casa no momento da invasão. Depois disso, decidimos ter um cachorro e quando a Gaya veio para casa, ela começou a ser adestrada imediatamente. Apesar de muito amável e dócil conosco, ela intimida qualquer um com o tamanho e os latidos. Ela é como uma filha e com certeza foi a melhor escolha que fizemos.”

 

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Bettina e Gaya – Arquivo pessoal

 

Bananinha, Goiabinha e Gaya são três dos 144,3 milhões de animais de estimação estimados no Brasil e a necessidade que eles têm de ração, banho, adestramento, entre outros, deve contribuir para que o mercado pet brasileiro fature R$ 46,5 bilhões em 2021, segundo projeções do Instituto Pet Brasil (IPB).

O montante representa uma alta de 13,8% em relação à movimentação registrada em 2020, quando o setor já havia crescido 13,5%, sobre 2019, apesar da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. “Quem tem pet em casa não deixa de comprar os produtos básicos, ou levar para tomar banho, visitar o veterinário. Esse responsável até pode escolher produtos mais em conta, mas adquire o pet food, o tapete sanitário, etc”, explica Nelo Marraccini, presidente do Conselho Consultivo do IPB.

 

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Sessão de cinema para tutores e pets da rede Cinesystem no Morumbi Town, em São Paulo – Divulgação

 

Mercado de respeito
Os números positivos deixaram o Brasil como o sexto maior mercado pet do mundo, pulando para a terceira posição quando se trata de alimentos para pets (atrás de Estados Unidos e China) e para a segunda em alimentos apenas para cães, de acordo com dados do Euromonitor International.

Tais resultados fizeram o país atrair os olhares de empresas estrangeiras. Este é o caso da Dental Bone, criada há 21 anos na China e presente em mais de 50 países, que desembarcou por aqui no início do ano, em plena pandemia. “Escolhemos o Brasil por ser um dos principais nomes do setor de pets do planeta e por apresentar um mercado promissor para a consolidação da marca”, diz a empresa, que comercializa produtos focados na higiene bucal dos pets.

Quem já atuava no país também não se intimidou com o coronavírus e resolveu investir no setor ou viu o negócio crescer nos últimos anos. A rede Cinesystem, por exemplo, desde o ano passado realiza mensalmente o CinePets e já recebeu mais de 4 mil peludos para as sessões especiais de cinema.

 

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Fábrica Pet Society em Guarlhos. Empresa investiu R$ 35 milhões em nova unidade – Divulgação

 

A Pet Society, por sua vez, que atua no segmento de higiene e saúde animal, investiu R$ 35 milhões para inaugurar sua nova fábrica em Gaurulhos, em abril deste ano, e deve lançar 17 novos produtos antes que 2021 termine. “Vendíamos antes da pandemia cerca de 200 mil unidades por mês, agora esse número é quase de 300 mil unidades mensais. Esse incremento se deu por conta da importância que o pet assumiu na vida das pessoas no período da pandemia”, ressalta o presidente da empresa, Luciano Fagliari.

A Petz foi outra empresa que não sentiu a crise do último ano. Em agosto, a marca agitou o mundo pet ao anunciar um acordo para a compra da plataforma Zee.Dog. O negócio envolveu investimento de R$ 715 milhões entre ações e dinheiro. No início de setembro, menos de um ano após realizar sua oferta pública de ações (“IPO”), com listagem no segmento do Novo Mercado da B3, o mais elevado nível de governança corporativa da bolsa brasileira, a empresa foi incluída no Ibovespa (IBOV), o principal índice da bolsa.

 

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Karen Fujiwara, idealizadora do Cachorródromo, e seus clientes – Ettore Chiereguini/Gazeta de S.Paulo

 

Pequenos também crescem
Mas não são apenas as grandes empresas que se dão bem no mercado pet. Pequenos e médios negócios também possuem seu espaço. Aberto em setembro de 2020, o Cachorródromo, conhecido por ter a maior piscina indoor para pets do mundo, cresceu e apareceu.

Em um ano, o espaço recebeu 14 mil cães e expandiu os serviços já existentes de grooming (técnica de tosa, estética e beleza animal), playground, cafeteria e salas de eventos, contando agora com uma pista de dessensibilização para cães e um espaço coworking, para tutores trabalharem perto de seus pets.

“Abrir em plena pandemia e se manter encarando um lockdown no meio do caminho e os desafios do mercado nos mostrou o quanto o Cachorródromo é necessário na vida dos nossos frequentadores”, diz Karen Fujiwara, idealizadora do espaço.

Especializada em itens de design para tutores e pets, a Allure também surgiu em plena pandemia, mas só viu o negócio crescer. A empresa não revela o faturamento, mas diz que os pedidos não param de chegar e já há planos de triplicar a produção até o final deste ano.

 

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“Marcela, o marido e seus cães – Arquivo pessoal

 

Quanto custa um pet?
Ter um animal de estimação traz felicidade, mas gastos também. Além de alimentação, deve-se levar em conta os custos com banho, tosa, vacinas, remédios, entre outros. Um levantamento feito pelo IPB, em 2020, aponta que em média, mensalmente, um cão requer cuidados que chegam a cerca de R$ 340. No caso de gatos, a despesa é de R$ 197.

Mas, há quem extrapole estes valores. A advogada Marcela Mayara Figueiredo, 26 anos, de Tupã, chega a gastar R$ 700 por mês com seus pets, os cães Killua e Livy. Entre os gastos, há assinatura da BOX.Petiko, um serviço que envia brinquedos e petiscos para cães e gatos mensalmente.

“Sempre achei um máximo essa ideia de vir um presente pro meu pet todo mês, sempre com novidade e coisas direcionadas para eles. Além disso, eu sempre quis dar a eles o melhor”, finaliza a tutora.

 

Diário do Ribeira/Gazeta SP

Foto: Ettore Chiereguini

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