22 de setembro de 2021 - 12:14

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Geada prejudica área de cafezais equivalente a 160 mil campos de futebol e preço dispara

As três ondas de frio intenso com geada verificadas neste inverno em Minas Gerais e em São Paulo estressaram os cafezais. E esse fenômeno vai acarretar perdas importantes na safra que está sendo colhida agora. Estimativas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas divulgadas nesta semana apontam que a geada prejudicou uma área equivalente a 156 mil campos de futebol. Esse número corresponde a 17,2% dos cafezais mineiros. Na região de Franca, em São Paulo, as baixas temperaturas ‘queimaram’ uma área equivalente a cinco mil campos de futebol. E esses cálculos levam em consideração apenas o impacto das duas primeiras ondas de frio, sem considerar as geadas desta semana.

Durante expedição aos cafezais de Minas, São Paulo e Espírito Santo em meados de julho, a consultora norte-americana Judy Gaines estimou uma perda entre 300 mil e 500 mil sacas provocada, também, pela falta de chuvas no verão, que limitou o crescimento dos grãos. Porém, um prejuízo ainda mais severo deverá ocorrer na próxima safra, a ser colhida no ano que vem. Estimativas conservadoras apontam uma provável quebra de até 4,5 milhões de sacas em 2022 porque a geada queima os brotos, provocando perdas generalizadas.

E todo esse ar polar provocou uma disparada na Bolsa de Nova Iorque, que dita o valor da commodity no mundo. Só neste ano, o grão já ficou 82% mais caro, segundo cálculos da Associação da Indústria Brasileira de Café (ABIC). Diante dessa alta no custo da matéria-prima a ABIC alertou que “a viabilidade do negócio está comprometida” porque, de dezembro a julho, o reajuste médio do café torrado e moído vendido nos supermercados foi de ‘apenas’ 15,9%. Portanto, prepare o bolso…

Mais: com o dólar valorizado frente ao real, as exportações brasileiras nos últimos 12 meses somaram 45,6 milhões de sacas de 60 quilos. Esse foi o maior volume de toda a série histórica do Conselho dos Exportadores de Café, iniciada em 1990. O Brasil é o maior produtor e o maior exportador de café do mundo. E pelo Porto de Santos passa a maior parte do grão enviado ao exterior.
Por conta do clima e dos recordes na exportação de grãos, os custos de produção de ovos, aves e suínos também dispararam. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o preço do milho saltou de R$ 40,00 para R$ 100,00 em um ano. Já a soja aumentou até 80%. E, à medida que os estoques de milho e farelo de soja acabarem, as granjas terão de adquirir os grãos no preço atual. E o repasse ao consumidor será inevitável, com reajustes de até 50% nas carnes e nos ovos até o final do ano.

As hortaliças registraram deflação (recuo nos preços) no primeiro semestre na Ceagesp e deveriam entrar em um período de estabilidade por conta do clima normalmente estável no inverno, sem as tempestades nem os calores excessivos do verão. Mas, após três ciclos de geada…

 

Filosofia do campo:
“A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes”, Gibran Kalil Gibran (1883/1931), filósofo e poeta libanês.

 

Diário do Ribeira/Gazeta SP

Foto: Devon

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