22 de setembro de 2021 - 12:33

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Fique de olho no que você come

No supermercado, você chega a ler os rótulos dos alimentos que pega na prateleira? Ou na tabela nutricional? Pois deveria: eles trazem informações importantes, como a quantidade de vitaminas que ele possui e do que ele é feito. Mas convenhamos: nem todo mundo entende o que está escrito. “Todas as pessoas têm o direito de saber o que estão colocando em seu prato”, diz a nutricionista Osvaldinete Lopes, do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª região (CRN-3).

Para ajudar o consumidor a entender tudo isso, em outubro de 2020, foi aprovada a nova norma de rotulagem nutricional pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e duas grandes novidades vieram com ela. A primeira é a padronização da tabela nutricional, a que traz os dados sobre a quantidade de nutrientes obrigatórios, que são os carboidratos, açúcares totais, açúcares adicionados, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans, além de fibra e sódio.

A tabela traz a quantidade desses nutrientes em 100g do alimento e em uma porção, e o quanto isso corresponde à quantidade ideal de consumo por dia, o famoso valor diário (VD). A norma da Anvisa também traz outra novidade, a rotulagem nutricional frontal. Como o nome diz, ela vem na frente, deve estar bem visível ao consumidor, e fala se o alimento tem alto conteúdo de três nutrientes: açúcares adicionados, sódio ou gordura saturada. Ela vem com o desenho de uma lupa, e com a indicação ‘alto em’ escrita. “Isso permite que o consumidor identifique mais facilmente os alimentos menos saudáveis”, conta Lopes.

Uma terceira novidade é o destaque dado a nutrientes que, embora não obrigatórios, conferem propriedades especiais aos alimentos. É o que se chama de alegação nutricional. “Um exemplo, se aparece a informação ‘esse produto é rico em ômega 3’ no rótulo, ela precisa aparecer na tabela nutricional”.

Mas o rótulo tem mais informações igualmente importantes, como a lista de ingredientes que compõem o alimento. De acordo com a nutricionista, essa lista vem em ordem decrescente, do ingrediente que tem mais quantidade pro que tem menos. “Por exemplo, em um suco de caixinha, os primeiros ingredientes que aparecem são água, a polpa da fruta e açúcar. Isso significa que a água vem em maior quantidade”.

 

Macaque in the trees
Arte: Gazeta de S.Paulo

 

Essa lista já existia nos rótulos anteriores, e será mantida na versão atualizada. Aliás, vai levar um tempo ainda para você ver as novidades estampadas nos alimentos: a indústria tem até dois anos para se adaptar à norma da Anvisa. Mas as mudanças eram necessárias. “Precisávamos chamar a atenção para alimentos não saudáveis. Desde 2014 a Anvisa criou um grupo de estudo para estudar a melhor rotulagem, já que a nossa estava desatualizada. Além disso, a tabela nutricional não era padronizada, e em muitos casos, era difícil para ser lida”.

Ou seja, agora vai ficar mais fácil saber o que estamos comendo, o quanto o alimento pode nos fazer bem, e evitar aqueles que não são tão saudáveis assim – ou comer, por sua conta e risco. Afinal, ingerir grandes quantidades de nutrientes como açúcares, gordura e sódio são uma das causas da pandemia de doenças como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e obesidade -e é isso que os novos rótulos pretendem avisar. “Teremos condições de fazer uma escolha mais consciente”, completa.

 

E os produtos diet e light?

A nova rotulagem não muda as notações diet e light, já que elas têm resoluções específicas. Mas as diferenças se mantêm: produtos diet são os que não possuem algum nutriente, como açúcar por exemplo, e são destinados a pessoas com necessidades específicas, como aquelas que têm diabetes. Já os light são os que têm uma quantidade reduzida de algum nutriente, ou seu valor calórico. Um alimento que tenha menos colesterol, sódio, açúcar ou gordura é considerado light.

 

Diário do Ribeira/Gazeta SP

Foto: Stokkete

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