28 de novembro de 2021 - 14:24

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Projeto de manejo de abelhas sem ferrão é aprovado para integrar atividade econômica de caiçaras na Ilha do Cardoso

E de repente instalou-se uma pandemia. E de repente uma comunidade que dependia, principalmente de atividades voltadas ao turismo, se viu diante da necessidade de  reinventar-se. E de repente, eis que aflora um projeto que chega com a proposta de erradicar todo esse amargo dissabor com mel. Sim. Mel de abelhas, produto que tende a ser um bálsamo no auxílio à reestruturação da economia local da comunidade do Marujá, localizada no Parque estadual da Ilha do Cardoso, ao extremo sul litorâneo paulista.

De autoria do biólogo, mestre em Biodiversidade e Conservação, professor da Rede Pública do Estado de SP e idealizador da NAAtiva Projetos, empresa especializada em produtos e serviços destinados à Conservação da Biodiversidade, à Educação e à Sustentabilidade, o ‘Projeto Polinizadoras Caiçaras’ surge com o objetivo de capacitar a comunidade local no manejo de abelhas nativas sem ferrão, levando nova alternativa em tecnologia social e conservação da natureza a esses moradores.

O biólogo, que é de Votorantim, interior de São Paulo, já frequenta a comunidade desde 2011 e tem uma ligação tão forte com o local, que inclusive, casou-se por lá no ano passado.
“Além dessa ligação que eu tenho com a natureza da Ilha do Cardoso, essa é minha profissão. Então eu acabei observando a gestão da comunidade, a forma como os caiçaras se organizam e isso me chamou a atenção. Sem falar que a gente estabelece um carinho muito grande com os moradores, como se fossem da família”, comentou.

Ele conta que neste processo do ‘encantamento’, durante uma conversa com amigos, também frequentadores da comunidade, surgiu a pauta sobre criar as abelhas no Marujá.
De pronto, ele confessou que achou inviável, mas amadureceu a ideia alguns minutos depois. “Me questionei: ‘Por que não?’ e aí comecei a escrever o projeto e trabalhar na divulgação”, comentou o biólogo.

Sobre a técnica do manejo, Vitor Hugo a explica em detalhes: “Basicamente, a atividade do projeto consiste em atrair colônias silvestres presentes na natureza para ‘ninhos armadilha’, que após enxameado dentro de um período de 40 dias, pode ser transferida para uma caixa de manejo.”

A proposta inicial visa a comunidade do Marujá, podendo ser estendida às demais que demonstrarem interesse.

Ele ainda explica que o local detém características que estão em consonância com a atividade proposta.
“Já sabemos que quase 90% das espécies de flores silvestres dependem das polinizadoras, assim como 75% das plantações de alimentos. A ideia é promover a proteção das abelhas como importantes agentes de polinização, grupo no qual se incluem ainda as borboletas, morcegos e beija-flores”, explica o biólogo que segue complementando a ideia:
“A Ilha do Cardoso é uma ilha quase intocada e, por fazer parte de uma área de preservação, com acesso de turistas rigorosamente controlado, a fauna e flora automaticamente se apresentam de forma exuberante, fato que prenuncia um cenário perfeito para a integração do projeto”.

De acordo com Vitor, uma pincelada do que representa o projeto, já foi apresentada a alguns moradores de maneira ainda informal, por conta dos percalços de pandemia.

Por se tratar de algo novo, a ideia chega a ser recebida com um certo preconceito em um primeiro momento, uma vez que  existe uma concepção errônea com certa generalização acerca das abelhas, onde algumas pessoas fazem uma associação pejorativa, envolvendo os enxames, os ataques, os ferrões. E é justamente por este motivo que o biólogo procura já salientar, no primeiro contato, que as abelhas são desprovidas de ferrão, insistindo na sigla ASF- Abelhas Nativas sem Ferrão. “Essas abelhas não tem ferrão, são dóceis e podem ser manejadas nesse quintal maravilhoso que é o paraíso Marujá”, comenta o biólogo.

O projeto chega com duas frentes. Uma é a apresentação em si e a outra é uma campanha de captação de capital para dar substância ao projeto e acelerar a sua prática e incorporação na comunidade.

Vitor adianta que os moradores interessados não precisarão lançar mão de nenhum investimento e que a capacitação para a atuação na atividade do manejo das abelhas será gratuita.

A partir de uma reunião remota que ocorreu no último dia 29 de março, a iniciativa foi levada ao conhecimento do gestor do Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), Edison Nascimento, que deu seu consentimento na realização do projeto.

“Ele recebeu com orgulho a ideia do projeto ‘Polinizadoras Caiçaras, Manejo in situ de abelhas sem ferrão pelos caiçaras’, e vai abrir um processo para início das atividades”, informou Vitor, enquanto não fazia nenhuma tentativa de conter sua empolgação diante da resposta do gestor.

Ainda, sobre a prática, será montada uma equipe de monitoria com 5 moradores locais e haverá a capacitação para outras pessoas que demonstrarem interesse.

De acordo com o biólogo, em um segundo momento, todo o trabalho e energia empregados na fase da capacitação, serão direcionados para fins de educação ambiental, turismo rural e aproveitamento e comercialização de subprodutos, como mel, geoprópolis, cera e pólen, após a devida regularização da atividade nos órgãos ambientais competentes.

Uma reunião com o presidente da Associação dos Moradores do Marujá, Amilton Xavier, está com data a ser definida e representa um outro importante passo para o estabelecimento das diretrizes do projeto de uma forma mais organizada.

 

Capacitação

O autor do projeto ministrará no dia 01/05/2021 um Workshop gratuito ‘Polinizadoras Caiçaras’ que proporcionará aos participantes uma bagagem de conhecimento a seguir relacionadas:

a. compreensão da importância das abelhas nativas sem ferrão para o contexto
ecológico da sua região;
b. maior percepção sobre a importância do manejo de espécies silvestres num sentido de ser uma alternativa de renda para sua família;
c. técnicas utilizadas para apanhar colônias silvestres, o primeiro passo do manejo!

 

Outros Módulos

1 – Quem são as ASF?
2 – Biologia Geral Apidae-Meliponinae: Rainhas, operárias, machos, ninho
4 – Por que criar abelhas nativas?
5 – Manejo de ASF: Transferência/Divisão/Monitoramento/Ameaças
6 – Subprodutos: MÉIS, Geoprópolis, Colméias, Pólen, Educação
Ambiental, Ecoturismo, TURISMO DE NATUREZA.
Inscrições abertas até 30/04/2021 (acesse o link aqui)

 

Vitor Hugo conta que o projeto está percorrendo um caminho tão próspero, que inclusive já ganhou uma composição musical:

No Marujá tem Abelha (ABELHAA)
Composição: Vitor, Bazinha, Denis Capoeira
Ritmo: Coco

“No Marujá tem abelha,
ABELHAA
Abelha nativa
ABELHAA
Abelha sem ferrão
ABELHA
Polinizadoras Caiçaras
ABELHA
No Marujá tem abelha,
ABELHAA
Abelha nativa
ABELHAA
Abelha sem ferrão
ABELHA
Pra gente conservar
ABELHA
E a abelhinha quando produz
É UM MELADO SÓ
E a abelhinha quando produz
É UM MELADO SÓ
E a abelhinha quando produz
É UM MELADO SÓ
E a abelhinha quando produz
É UM MELADO SÓ”

 

“Em cinco anos, estaremos todos juntos, aglomerando e tomando cataia com mel de abelha nativa sem ferrão manejada pelos caiçaras. Que sonho! Vamos juntos?”, devaneia o biólogo com destino certo à realidade em um futuro próximo. Amém.

 

Para contribuir com o projeto, acesse a ‘Vakinha on-line’:  Capacitação em Manejo de Abelhas Nativas Sem Ferrão | Vaquinhas online (vakinha.com.br)

Para inscrições e demais informações, acesse: ‘Polinizadoras Caiçaras’ Capacitação em manejo de Abelhas NAAtivas sem ferrão (ASF) na Ilha do Cardoso/SP. (google.com)

 

Por: Érica Xavier/Diário do Ribeira

Crédito da imagem de destaque: Felipe B. Fraga

 

 

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