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  • 8 de maio de 2021
  • 05:15

2020 deve ser registrado como um dos anos mais quentes da história

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O ano de 2020 deve terminar como um dos três mais quentes historicamente, de acordo com estimativa da Organização Meteorológica Mundial (OMM). A informação foi divulgada na última quarta-feira (2) e é baseada em pelo menos cinco bases de dados mundiais entre janeiro e outubro deste ano.

“A temperatura média global em 2020 deve ficar cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial (1850-1900). Há pelo menos uma chance em cinco de exceder temporariamente 1,5°C até 2024”, afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado à imprensa.

O Acordo de Paris, firmado em 2015, tem como objetivo conter o aquecimento do planeta em 1,5°C até o fim do século. Mesmo com as medidas de lockdown adotadas em vários países devido à pandemia de Covid-19, que paralisaram atividades industriais, a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera continuou subindo este ano, já havia informado no fim de novembro a OMM.

O acordo completa cinco anos na próxima semana, no entanto, os compromissos que quase 200 países fizeram para reduzir suas emissões não estão deixando o mundo no caminho de conter a elevação da temperatura. “Mais esforços são necessários”, destacou Taalas.

Para o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, a culpa pelo problema é das emissões causadas pelas atividades humanas e da falta de políticas para lidar com a questão. “Para colocar isso de modo simples, o planeta está quebrado. A humanidade está travando uma guerra com a natureza e isso é suicida”, ressaltou após o lançamento do relatório.

Taalas destacou que o ano mais quente até então (2016), coincidiu com a forte ocorrência do fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico e colabora com o aumento da temperatura do planeta.

Contudo, em 2020 está em vigor o fenômeno contrário, o La Niña, que possui um efeito de esfriamento. “Não foi suficiente para colocar um freio no aquecimento deste ano. Este ano já mostrou recordes de calor comparáveis aos de 2016”, disse.

Queimadas

Diversas partes do mundo sofreram com ondas de calor extremo, com queimadas devastadoras na Austrália, na Sibéria, na costa oeste dos Estados Unidos e na América do Sul.

De acordo com a OMM, os incêndios no Pantanal bateram recordes desde o início das medições, em 1998, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), piorados em parte pela seca intensa e pelas altas temperaturas.

Cidades do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo também bateram recordes de temperatura neste ano.

Mudança climática

O relatório indica que a temperatura do oceano está em níveis recordes e mais de 80% dos mares do planeta experimentaram uma onda de calor marinha em algum momento de 2020. A mudança de temperatura colaborou com o número recorde de furacões no Atlântico.

 

Diário do Ribeira/Gazeta SP

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