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Por Francisco Marcelino

O humor nacional está morrendo! Precisamos salvá-lo!

Assim como manufaturados nacionais sofrem com a competição de produtos da Ásia, o nosso humor enfrenta a distribuição gratuita de piadas por todos os canais possíveis. Nosso humor não sobreviverá a mais dois anos dessa competição desleal. Quem comprará um jornal para ler as colunas do José Simão se encontrar no Twitter piadas terraplanistas para saborear? Quem comprará um ingresso para um stand up nacional se toda quinta-feira à noite puder ouvir piadas contadas de graça numa live?

Isso é dumping. É preciso denunciar na Organização Mundial do Comércio.

Esta semana, por exemplo, num show de stand up gratuito em Brasília, um desses profissionais soltou que se acabar a saliva para discutir sobre a Amazônia com Joe Biden, o presidente eleito dos Estados Unidos, a coisa só se resolverá na pólvora. Isso mesmo: queimar pólvora contra o mais preparado corpo militar do planeta. Isso é concorrência desleal com o Porta dos Fundos, com o já citado José Simão ou até a falecida TV Pirata.

Grito novamente: é dumping!

Não apenas o humor é afetado. A proposta deve ter feito os preços da pólvora dispararem diante do medo de que as nossas forças armadas comprem toda a produção nacional para estocá-la enquanto esperam um ataque americano. Com isso, podemos esquecer a queima de fogos durante o réveillon deste ano. Os produtores de festas juninas pelo país afora já devem temer que 2021 será o segundo ano consecutivo sem celebrações. Não dá para imaginar uma festa junina sem fogos de artifício.

Piada é negócio sério e feita por profissionais. Além de nos fazer rir, a boa piada nos leva a refletir sobre a nossa sociedade, modo de vida, escolhas políticas. Por isso, a qualidade do humor tem preço, o qual pode ser medido pelos anunciantes de um programa de TV ou pelo valor estampado na capa de um jornal. Esses humoristas que distribuem gratuitamente suas piadas não levam a profissão a sério. Nem a remuneração deles é clara. A maior parte recebe em dinheiro vivo. Depois, não sabem mais quem pagou o quê ou por quê.

Piada de graça não é necessariamente boa. Na verdade, na maioria das vezes é bem ruim. A da pólvora foi muito boa. Mas, em geral, essas piadas de graça se sustentam na depreciação do obeso, de LGBTs, do estrangeiro, do pobre, do negro. São piadas que comparam, por exemplo, integrantes de uma comunidade quilombola a gado. Na verdade, essa piada, que é um pouco mais antiga, usava a medida de peso arroba para descrever outros cidadãos brasileiros. Mulheres também costumam ser depreciadas.

Enfim, deixemos as piadas para quem é do ramo, assim como deixamos a nossa saúde nas mãos de médicos, dentistas e de tantos outros profissionais da área.

 

Francisco Marcelino, jornalista, escritor e professor

 

 

 

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