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  • 8 de maio de 2021
  • 05:14

Ação voluntária abastece 46 famílias de comunidades indígenas em Cananéia no período de pandemia

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No início de 2020 ouvia-se um burburinho sobre o novo vírus chinês.  O agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 e sua cronologia revelou uma rápida disseminação mundial, fazendo com que a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretasse estado de emergência de saúde pública no âmbito internacional.

O que parecia algo tão distante da realidade dos brasileiros, alcançou território nacional, com o primeiro caso de Covid-19 sendo confirmado em 26 de fevereiro. O vírus seguiu se propagando e, no mês de março, era noticiado o primeiro caso de morte em São Paulo. Seria apenas uma questão de tempo até que a Covid adentrasse o Vale do Ribeira e se instalasse em Cananéia. Uma barreira sanitária não conseguiu impedir o primeiro caso, que aconteceu no município em abril. Seria preciso  armazenar o máximo possível de alimentos,  a fim de encarar uma quarentena que remeteria a população a algo como um cárcere privado? Como lidar? A ansiedade também se instaurou acerca do trabalho, da renda mensal, da frequência às instituições de ensino, salões de beleza, supermercados, academias. Como seria daqui pra frente?

Diante desta perspectiva de suprir as próprias necessidades e, da máxima capitalista do “cada um por si”, surge um contraponto que sugere lançar o olhar além do próprio umbigo, lançando mão de atitudes em prol da integridade do outro, mesmo que este outro não faça parte de um mesmo círculo social.

É neste contexto do “fazer o bem sem olhar a quem” que nasce o “Apoio Guarani Cananéia”.

 

O projeto 

O projeto “Apoio Guarani Cananéia” atende as demandas de 46 famílias, distribuídas em 4 aldeias instaladas no município de Cananéia (PAKURI-TY, TAKUARI-TY, TAPY’I e M’BUTU-Y) e conta, exclusivamente, com iniciativa voluntária de 4 mulheres que residem na região: Fernanda Martins, Marta Estela, Natália Pezatto e Suzan Pontes.

A ação teve início em abril e foi fundamentada na importância do suprimento das necessidades básicas da  população Guarani de Cananéia, como alimentação e higiene, visto que a principal fonte de renda das aldeias era proveniente da comercialização de  artesanatos, atividade que ficou suspensa  por tempo indeterminado por conta do isolamento social imposto pela Covid-19.

 

 

 

A campanha

Marta Estela, uma das voluntárias do projeto, comenta que há uma verdadeira força tarefa mês a mês na campanha de arrecadação de donativos. “Não há nenhum auxílio político. A única ajuda que temos é em relação ao transporte  para as aldeias, sendo que o trajeto na parte continental de Cananéia é feito pelo Depto Social da  Prefeitura de Cananéia e, em alguns meses, o Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC/FF) nos  auxilia na entrega das cestas para a aldeia que fica na llha do Cardoso”, explica .

Segundo ela, o ponto de partida do trabalho foi dar notoriedade à ação por meio das redes sociais, com o objetivo de promover uma sensibilização na população e, assim garantir as doações.

As famílias são abastecidas a partir da segunda quinzena de cada mês. As cestas básicas contém alimentos não perecíveis,  produtos de higiene pessoal , limpeza geral, hortifruti e fontes de proteína animal. Todos os itens são triados e higienizados pelas voluntárias.

De acordo com o grupo, a entrega dos mantimentos demanda cuidados redobrados, a fim de não expor os membros à possíveis focos  externos de contaminação. O contato acerca das coordenadas do dia de abastecimento e informações sobre as principais necessidades das famílias, é feito com um integrante de cada aldeia via celular.

 

 

O desafio

Em sua sexta edição e, mesmo atingindo seus objetivos mensalmente, a ação também é marcada por preocupações, pelo fato de depender única e exclusivamente de doações espontâneas.

“Todo mês ficamos apreensivas com a possibilidade de não conseguirmos arrecadar dinheiro suficiente  para atender todas as famílias, já que são doações de pessoas físicas em um compromisso mensal. Nossa cesta básica sai, em média, 160 reais e nos preocupamos com o aumento constante e progressivo dos preços dos produtos nos mercados”, explica a voluntária Fernanda Martins .

Ela ainda comenta que outra dificuldade encontrada é o transporte das cestas até a aldeia que fica na Ilha de Cananéia e abriga o  maior número de famílias, somando 22. “O local fica um pouco afastado da cidade, e  a maior parte do trecho de acesso é por terra. Usamos nossos carros particulares que vão cheios, e quando chove a estrada fica ruim”, conclui.

 

 

A determinação

Apesar de todo o trabalho, e grande demanda de responsabilidade, que acaba gerando certo desgaste físico e mental, as voluntárias afirmam que seguirão com a campanha enquanto o isolamento social for necessário. “É muito importante que  os indígenas não circulem pela cidade, pois na aldeia eles vivem de modo coletivo, compartilhando espaços, então um indígena infectado pelo coronavírus ocasionaria uma  contaminação em massa nessas populações, comenta a voluntária Natália Pezatto.

“Nossos corações sempre se enchem de orgulho e emoção em saber que temos uma rede de doadores  grande e sólida, mas ao mesmo tempo, é impossível não sentir tristeza em ver como a população indígena é vista e tratada em nossos país. O sentimento de alegria em levar as  cestas também nos traz um sentimento de revolta em pensar que não deveríamos ser nós as  responsáveis por essas iniciativas, mas sim eles deveriam estar amparados pelo Estado”, finaliza a voluntária Suzan Pontes, em tom de protesto.

 

 

As voluntárias aproveitam para lembrar a todos que o fim/ início de mês já anuncia uma nova campanha.

Para mais informações e/ou doações, falar com Marta Estela: (13) 997673314 ou Suzan: (13) 997843495.

Outro meio de contato disponibilizado é via página do projeto no Instagram: @apoioguaranicananeia.

Em caso de doações de alimentos, basta informar um endereço de retirada. As próprias voluntárias se comprometem com as arrecadações.

 

Por: Érica Xavier/ Diário do Ribeira

 

 

 

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